sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Das dores humanas
Uns choram porque o namorado chegou às cinco da tarde e terminou um namoro de cinco anos. Outros, levam as mãos à cabeça e se desesperam porque perderam o emprego e não sabem como quitar as parcelas do carro e da casa. Filhos sentem o coração apertado ao verem seu pai em uma cama de hospital, desenganado. Mães, que molham o travesseiro todas as noites, sem saber onde o filho mais velho está, sabendo que ele chegará de manhã, drogado e violento.
E tem aqueles que choram sem saber o porquê. Esses que vivem encharcados de lágrimas, têm de tudo e que você acha que é frescura, chamam-se (além do nome, claro) de depressivos.
Depressão não é moda. Não é alerta sonoro para chamar a atenção por capricho. Ao contrário, é uma condição bem silenciosa. É o limite da dor humana. É não saber responder quando alguém te vê chorar e a pessoa pergunta o que você tem, porque você mesmo não sabe porque está assim. Se julga ingrato com a vida, já que ela é tão bonita e dá tantas oportunidades de autopromoção, e se divide em dois: o que desanima e aquele que não aceita estar nessa condição.
Depressão é um cárcere emocional e dificilmente acomete quem não acredita em nada e não está nem aí pro mundo. Geralmente, quem padece disso ama demais, sente até o último fio de cabelo, sofre com as dores do outro e acaba por se sentir pequeno em não poder fazer o impossível. Fica emocionado e comovido ao ver crianças passando fome, sendo abandonadas, cachorros maltratados e miséria. Repudia atrocidades. Sofrem em silêncio, porque acham que incomodam, que serão chatos se ligarem para um amigo pedindo um help. Aliás, depressivos não sabem pedir ajuda. Preferem sentir a dor sozinhos, do que serem um peso ao outro.
Eu já vim aqui e já escrevi isso, mas eu repito: se você tem um familiar, amigo, namorado ou conhece alguém que esteja passando por isso, dê-lhe motivos para sorrir. Abrace-o. Conte piadas. Compre o chocolate que ele goste. Visite-o de surpresa. Leia um livro e marque um trecho que você julgue parecer com ele. Elogie-o, reforce suas qualidades, mostre a ele o valor que tem, que é só uma fase, um passo para uma grande mudança interior. Faça-o sentir-se amado. Dizer que é frescura, que ele precisa levantar da cama, que ele está perdendo tempo, não ajuda, só atrapalha.
Ajude-o a se levantar. Eles precisam de coisas muito simples. Não ignore-o. Nunca se sabe o dia de amanhã.
Talvez, nessas voltas que a vida dá, lá na frente possa ser você a pessoa na ponta dos pés à beira de um precipício, esperando que alguém te salve apenas com um abraço.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário