quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

PARA PENSAR: "Todos vamos envelhecer... Querendo ou não, iremos todos envelhecer. As pernas irão pesar, a coluna doer, o colesterol aumentar. A imagem no espelho irá se alterar gradativamente e perderemos estatura, lábios e cabelos. A boa notícia é que a alma pode permanecer com o humor dos dez, o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos. O segredo não é reformar por fora. É, acima de tudo, renovar a mobília interior: tirar o pó, dar brilho, trocar o estofado, abrir as janelas, arejar o ambiente. Porque o tempo, invariavelmente, irá corroer o exterior. E, quando ocorrer, o alicerce precisa estar forte para suportar. Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua história. Que usa a espontaneidade pra ser sensual, que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafetos. Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios. Erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo. Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores. Aprenda: bisturi algum vai dar conta do buraco de uma alma neglicenciada anos a fio."

Perder tempo é o de menos. Complicado mesmo são os pedaços de histórias que vamos deixando de realizar por estarmos ocupado demais tentando adiar o inadiável. É chato, eu sei, mas é verdade. Eu quis muito que tudo desse certo. Quis muito que tudo fizesse sentido. Quis que os medos desaparecessem e que as incertezas fossem mandadas para longe. Mas não foi assim. Tudo se complicou com as renúncias que não fez, com a covardia de não impor limites, com a ausência de pulso firme quando tudo desmoronava e você ficava ali, com os olhos assustados me pedindo abrigo sem nem ao menos entender o porquê de tudo aquilo. Ceder é preciso. Abrir mão de algumas vontades também. Não dá para enfiar goela abaixo todas as suas prioridades e esperar que o outro as aceite. Não faz sentido. Não é justo. Amor não é obediência. Não se abre mão de quem a gente é em prol de alguém que ao invés de nos fazer bem só nos faz mal. É. Faz mal. Esquecer o que te move não é saudável. Ignorar por completo todas as suas necessidades não te adianta. Só prende, atrasa. Coloca em dúvida o que até ontem era certo. Está vendo? Tudo desanda e você não percebe. Não sente. Não digere. Cansa. Esgota e o que era para ser uma nova oportunidade de conserto, se transforma na última tentativa que foi em vão.

Cansar da rotina é inevitável, o que não pode se esgotar é a vontade de virar a página e sacudir a poeira em busca de novas realizações. Parar no tempo não ajuda. Deixar de ir atrás do que acredita também não. É covardia deixar de viver o amanhã por estar acomodado demais no hoje. Se refaça quantas vezes forem preciso. Erre. Comece tudo outra vez. Troque a letra, mude o tom, mas mova-se. Não permita que a vida se ajeite em linhas surradas que não se (re)decoram.

Se a gente achar simplesmente que a vida é uma coisa que vai durar para sempre e não aproveitar as oportunidades para servir as pessoas, para se melhorar como ser humano. A nossa vida vai passar, a gente vai tentar voltar aqui para fazer melhor. E não vai ter essa chance. Então, a chance é agora...

Antes eu ficava cobrando justificativas, me desdobrava em possíveis causas. Gastava um tempão tentando adivinhar os motivos que me afastaram de algumas pessoas. Hoje só agradeço. Quando a gente descobre que a ausência não incomoda a gente se dá conta que a presença nem sempre acrescentou.

Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. O último pra esquecer tolices. O último para ignorar o que, no fim das contas, não tem a menor importância. O último para rir até o coração dançar. O último para chorar toda dor que não transbordou e virou nódoa no tecido da vida. O último para deixar o coração aprontar todas as artes que quiser. O último para ser útil em toda circunstância que me for possível. O último para não deixar o tempo escoar inutilmente entre os dedos das horas.

Alguém pode escrever com raiva, escrever com dor, escrever com ironia, escrever com dificuldade, escrever debochando, escrever apressado, escrever na obrigação, escrever com segundas intenções. Nada disso chegará no outro lado da tela: a pressa, a hesitação, a tristeza. As palavras chegarão desacompanhadas. Será preciso confiar no talento do remetente em passar emoção junto de cada frase. Como pouquíssimas pessoas têm esse dom, uma mensagem sensível poderá ser confundida com secura, tudo porque faltou um par de olhos, faltou um tom de voz. Se você passou a desprezar alguém, pode escrever "não quero mais te ver". Se você ama muito alguém, mas a falta de sintonia lhe vem machucando, pode escrever "não quero mais te ver". Uma mesma frase e duas mensagens diferentes. Palavras são apenas resumos dos nossos sentimentos profundos, sentimentos que para serem explanados precisam mais do que um sujeito, um verbo e um predicado. Precisam de toque, visão, audição. Amor virtual é legal, mas o teclado ainda não dá conta de certas sutilezas.