sexta-feira, 26 de setembro de 2014
E no meio dessa bagunça toda, uma hora ou outra a gente sempre acaba achando alguém que nos complete, que nos proteja, que nos envolva em uma vida só. Que nos dê a mão sem pedir, que nos pegue no colo e nos leve daqui, que nos faça esquecer todo o tempo que ficamos distraídos para não perceber que no final estávamos esperando por esse momento.
Eu nunca fui a melhor aluna da classe, pelo contrário. Fazia parte da turma do fundão. Era uma das últimas a ser escolhida para fazer parte do time de handebol. Já colei chiclete embaixo da carteira. Já matei aula para ver o futebol dos meninos. Sempre ficava de recuperação em matemática e física. Já colei várias vezes na prova. No pré eu fugia da sala de aula para brincar no parquinho. Já mordi o umbigo de uma colega mas não me recordo o motivo. Eu era chorona e gostava de mandar nos outros. Sim. Eu era uma criança terrível. Ainda carrego essa personalidade forte comigo. Continuo não sendo um exemplo de aluna e nem tenho essa intenção. Aprendi a ser livre, faço as coisas que gosto da minha maneira e sei muito bem onde meu calo aperta. Gosto de viver o momento. Costumo deixar as coisas para última hora, me saio bem com imprevistos, tenho algumas palavras decoradas na ponta da língua. Me viro como posso e sei de todas as dificuldades que ainda tenho que enfrentar, das minhas responsabilidades e o quanto elas pesam sobre mim. Não gosto de ninguém me lembrando o que me falta ou o que me sobra. Moro sozinha, tenho um quarto só meu, chego na hora que quero e ainda mantenho a minha boa educação que herdei da minha mãe. Tenho alguns deveres de uma vida adulta, pago minhas contas e não devo pra ninguém. Com o tempo aprendi a me corrigir e a não me cobrar tanto pelos meus erros já admitidos. E não importa o que dizem, eu me ensinei a ser livre e aprendi direitinho a lição.
Muitos dizem que o passado deve ficar bem lá trás, esquecido. Eu penso que algumas coisas, só serão esquecidas quando resolvidas, Quando Desencanadas da cabeça. Histórias mal resolvidas são como fantasmas a nos Perturbar o tempo todo, então, quer um conselho? Volte lá no seu passado Rapidinho, Dê uma boa faxina, coloque algumas coisas e pessoas em seus devidos Lugares, Converse, esclareça, perdoe. E depois sim, continue sua caminhada no Presente, rumo ao seu Futuro, sentindo-se, mais leve, sem culpas, sem paranoias e nem arrependimentos de nada.
Das dores humanas
Uns choram porque o namorado chegou às cinco da tarde e terminou um namoro de cinco anos. Outros, levam as mãos à cabeça e se desesperam porque perderam o emprego e não sabem como quitar as parcelas do carro e da casa. Filhos sentem o coração apertado ao verem seu pai em uma cama de hospital, desenganado. Mães, que molham o travesseiro todas as noites, sem saber onde o filho mais velho está, sabendo que ele chegará de manhã, drogado e violento.
E tem aqueles que choram sem saber o porquê. Esses que vivem encharcados de lágrimas, têm de tudo e que você acha que é frescura, chamam-se (além do nome, claro) de depressivos.
Depressão não é moda. Não é alerta sonoro para chamar a atenção por capricho. Ao contrário, é uma condição bem silenciosa. É o limite da dor humana. É não saber responder quando alguém te vê chorar e a pessoa pergunta o que você tem, porque você mesmo não sabe porque está assim. Se julga ingrato com a vida, já que ela é tão bonita e dá tantas oportunidades de autopromoção, e se divide em dois: o que desanima e aquele que não aceita estar nessa condição.
Depressão é um cárcere emocional e dificilmente acomete quem não acredita em nada e não está nem aí pro mundo. Geralmente, quem padece disso ama demais, sente até o último fio de cabelo, sofre com as dores do outro e acaba por se sentir pequeno em não poder fazer o impossível. Fica emocionado e comovido ao ver crianças passando fome, sendo abandonadas, cachorros maltratados e miséria. Repudia atrocidades. Sofrem em silêncio, porque acham que incomodam, que serão chatos se ligarem para um amigo pedindo um help. Aliás, depressivos não sabem pedir ajuda. Preferem sentir a dor sozinhos, do que serem um peso ao outro.
Eu já vim aqui e já escrevi isso, mas eu repito: se você tem um familiar, amigo, namorado ou conhece alguém que esteja passando por isso, dê-lhe motivos para sorrir. Abrace-o. Conte piadas. Compre o chocolate que ele goste. Visite-o de surpresa. Leia um livro e marque um trecho que você julgue parecer com ele. Elogie-o, reforce suas qualidades, mostre a ele o valor que tem, que é só uma fase, um passo para uma grande mudança interior. Faça-o sentir-se amado. Dizer que é frescura, que ele precisa levantar da cama, que ele está perdendo tempo, não ajuda, só atrapalha.
Ajude-o a se levantar. Eles precisam de coisas muito simples. Não ignore-o. Nunca se sabe o dia de amanhã.
Talvez, nessas voltas que a vida dá, lá na frente possa ser você a pessoa na ponta dos pés à beira de um precipício, esperando que alguém te salve apenas com um abraço.
Não se entusiasme com a minha pessoa, eu posso te decepcionar. Não queira ser o dono do meu coração, eu posso te amar em minutos e te esquecer em segundos. Não, não me ame! Eu não sei o que eu quero, às vezes preciso ficar livre e quase sempre sinto falta de algum corpo ao meu lado. Eu não tenho um coração de pedra, mas não tenho pressa no amor. Sinto-me injustiçada em não te falar a verdade, mas é que você chegou um pouco tarde. Sou intensa demais para me entregar para qualquer um. Espero não me arrepender e tenho medo de quem eu possa vir a perder. Vivo desobrigada com aquilo que me deixa tranquila, sinto-me solta nos caminhos que eu sempre desejei percorrer e sinto-me minha. Tenho cuidado muito bem de mim, curei-me das dores, as cicatrizes do passado já não me incomodam mais e assumo que tenho uma solidão satisfatória. Dispenso qualquer cuidado que venha de um plano discretamente planejado. Desejo sua amizade que quimicamente é recheada de verdades e mentiras amorosas, da minha boca você nunca ouvirá. Sinto muito, mas você precisa ir. Não quero te usar, você tem sentimentos e prefiro não te magoar.
domingo, 14 de setembro de 2014
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Quando alguém me faz sofrer, ou me faz mal, não procuro saber. Não fico perguntando para amigos em comum e bisbilhotando redes sociais. Sou apta ao verbo ignorar. Viro a página, mudo o discurso e continuo. Ninguém é obrigado a me amar, sou repleta de defeitos. Sou uma mulher com a personalidade forte e o coração mole. Não vivo de esmolas, não sou interesseira (já me apontaram, mas quem me conhece sabe que é em falso) e sempre trabalhei para pagar minhas futilidades. Recuso-me a voltar a caminhar ao lado de quem um dia já sentiu vergonha de me dar às mãos em público. Não sou manipuladora e hoje já sinto as pessoas que tentam me manipular. Falo sobre as pessoas, sendo algo bom ou ruim. Afinal, quem não fala? Seria hipocrisia da minha parte escrever bondade sem praticar. Não sou tudo aquilo que escrevo, mas tento da melhor forma possível seguir o correto da vida. Sou uma pessoa insuportável, quem me ama de verdade merece todo meu abraço. Resmungo o tempo todo, choro com facilidade, sou dramática e por qualquer palavra mal interpretada, sinto-me ofendida. Já passei por tanta rejeição que carrego um escudo como proteção. Não sou de guardar rancor, mas na hora da raiva xingo e digo coisas absurdas que me sinto mal. Já apanhei demais por perdoar demais. Já estive distante de pessoas e me reaproximei. Não costumo idealizar a vida de quem eu não quero saber, não faço das minhas palavras discórdias. Fico imensamente satisfeita quando alguém engole todo mal que me desejou ao observar de perto a pessoa que sou. Desconsidero quem um dia já disse coisas que não fiz, mas lavo a minha alma ao olhar nos olhos e dizer tudo àquilo que sempre quis. O silêncio é a resposta, pois para cada retorno não há escapatória. Vivo com a minha ansiedade, com as minhas imperfeições e uma boa índole. Da mesma forma que sou odiada, sou amada. Sou popular entre meus amigos, que sempre fazem questão da minha presença, mas gosto de ficar solitária nos meus dias cinza e quero correr atrás do tempo perdido. Quando me apaixono, esqueço-me de mim. Sendo assim, sofro tanto para reconquistar minha vida quando chega o fim. Eu sou assim, movida de erros e acertos. Agradeço a cada rasteira que levei e todas as feridas que sempre carreguei. Trago em mim um pouco de cada um que um dia me virou as costas. Procuro sempre absorver o bom daqueles que eu decidi esquecer. Pensar negativo, criticar em deboches as vitórias alheias e desejar o mal, não me tornará feliz. Transformaria-me na criatura mais amargurada do mundo, por não conseguir me livrar dos males ao meu redor. Desejo sorte até para aqueles que não quero mais perto de mim. Que fiquem em paz e me deixem em paz também.
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