sábado, 13 de julho de 2013
Como eu consegui gostar disso?!" Uma pergunta que seria cômica, se não fosse trágica. A verdade é que a gente se esforça pra criar um sentimento de admiração por alguém sem graça, só pra não ficar de coração vazio e, principalmente, entediada. O que resta pra fazer nos momentos de ócio, se não fuxicar as redes sociais do tal carinha? Lembrar dos momentos, reler sms, fantasiar com as amigas. Não é amor, é hábito. É passatempo barato, tipo essas caça-palavras que são vendidas em qualquer banca de jornal caindo aos pedaços.
Mas quem, nesse mundo, nos ilude mais do que nós mesmos? É tão doentio quanto natural. Você sai costurando babados cor-de-rosa em todas as babaquices- que não são poucas- dele e, não importa o quanto ele arranque, você vai lá e faz questão de costurar de novo. No fundo, o uniforme de “Maior idiota do mundo” nunca passou despercebido, mas o beijo era bom, rolava química e ele até escrevia certinho, requisitos suficientes pra transformar o idiota num projeto promissor de amor e mimimi. Porque essa parte, o mimimi, nem que seja preciso desenterrar o primeiro ex namorado, a gente precisa. Mais cedo ou mais tarde, precisa mesmo. Verdadeiro ou boca pra fora, toda semana ou uma vez por semestre, precisa e não dá pra negar.
Você sempre soube o quão patético ele era. E que não era inteligente, bonito, muito menos interessante. Você se incomodava com muitas coisas, dava pra listar e isso só passou porque você se treinou a ter friozinho na barriga. Tudo muito mecânico, eram borboletas rigorosamente adestradas. Nunca foi arrepio, juízo perdido. Cada suspiro foi fruto de anos se aprimorando na tática de “tecnicamente se apaixonar”, porque não tem nada melhor pra fazer. Ninguém melhor pra ficar. A verdade é que você nunca gostou dele. Nunquinha. Só acabou ficando boa demais nessa coisa de se enganar.
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