terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

CONTOS DE UMA VIDA


Muito prazer, meu nome é Lucy, mas todos me conhecem por Lú. Tenho 37 anos (ui!), sou divorciada, tenho uma filha adolescente e não aborrecente sou alto astral, portadora da síndrome de Poliana e gorda.
Junto com tudo isso se some que estou a procura de um grande amor, daqueles de novela das seis (novela das oito tem muito drama antes do casalzinho ficar junto; a das seis não, é mais rápida e meio indolor ). Estou à procura e não à caça!
Estou só há bastante tempo. Estou só por opção e por falta de “material bom” no mercado.
O que chamo de material bom?
Homens cavalheiros, educados, atenciosos. Em resumo: um príncipe. Só o quero ogro nas horas próprias em que o animal tem que falar mais alto que o racional.
Homens tem uma característica que é ridícula, mas engraçada: começam a conversar com você sem o menor interesse, mas quando se informam que você está sozinha já há algum tempo além de uma semana passam a falar com você com uma cama no meio das palavras. É como se pensassem: coitada, vou fazer uma caridade saindo com ela e ela vai perceber o que está perdendo...
É como se aquele pequeno apetrecho que lhes pende entre as pernas fosse o remédio para todos os males de uma mulher!
Sinto em desapontá-los: não é!
Se você sabe usá-lo (bem poucos o sabem), até que cura muitas enxaquecas, cólicas e desculpas afins. Mas…
Sei que muitas mulheres tem a necessidade de ter um homem ao lado para se sentirem fêmeas. Qualquer um!
Não me incluo nesse grupo. Tive a sorte de ser desprovida de grande beleza. Pareço-lhe louca? Não sou. E vou explicar-lhe. Uma mulher bonita vai ter dois caminhos a seguir: ou vai se aproveitar da beleza para conseguir uma união, digamos, proveitosa; ou vai servir de bibelô para alguém a quem ela ama. E morrer de medo de um dia essa beleza acabar. É claro que toda regra tem exceção. Algumas escolhem e são escolhidas para a felicidade.
Voltando, como nasci fora dos padrões me habituei a ser a última a ser chamada para namorar, mas era sempre a primeira a ser chamada para ser a amiga confidente. E me aproveitei MUITO disso. Os homens tem sentimento, sim! Não é história de pescador! Arrisco-me até a dizer que quando um homem gosta, ele gosta até mais que uma mulher. Só que nós, mulher os ensinou a não demonstrar esse sentimentalismo!
Seja franca: você gosta do cara, tá até a fim, mas se ele começa a te tratar como VOCÊ o trata ( ligando para saber onde estás, no que estás pensando, cheirando sua roupa, falando uma coisa mas pensando outra… ), você o manda pastar em quanto tempo? Agora, se ele te dá uma esnobada básica, faz aquele joguinho de que não tá nem aí, você vai tratar de tentar trazê-lo pra você, pois com você é diferente… Vai gamar, chorar com as amigas e quando ele se transformar no homem que você queria ( se conseguir chegar até aqui ), vai perceber que ele não é mais aquele homem que você se ligou e vai mandá-lo pastar. Ou se casar com ele. O que será uma pena. Para os dois!
Uma mulher “gostosa” ao mesmo tempo em que enlouquece os homens também lhes traz muito medo. Foi o que concluí nessas minhas andanças. Ao mesmo tempo em que eles se orgulham de mostrá-las como uns troféus ficam com medo de que a roubem ou que eles não consigam guardá-lo. É guardá-lo mesmo e não guardá-la, porque o que eles vão perder não é a mulher e sim o troféu. Entendeu?
É claro que estou generalizando.
Todos os meus relacionamentos foram longos. Menos meu casamento rsrsrsrs. Será que tenho noção do por quê?
Claro que tenho! Agora, depois de tanto tempo, tenho.
Não me casei por amor; casei-me por pirraça. Foi o único namorado que a família implicou. Eu vivia num mundo cor de rosa e união a dois é mais para o chumbo. E me perdoem os românticos: nada é para sempre, principalmente as relações a dois!
Você conhece algum casal com mais de três anos juntos, vivendo sobre o mesmo teto, dividindo a vida - e as contas, que tenham o mesmo sentimento arrebatador que tinham no início? Não estou falando de sexo. Esse até pode melhorar com o tempo. Pode ser mais espaçado, mas de melhor qualidade. Estou falando de romantismo. O casal pode ficar mais amigo, mais entrosado, mais conhecedor um do outro, mas mais romântico eu duvido.
Existe situação mais broxante (para ambas as partes), do que o acordar junto? Não estou falando daquela fase em que até a posição da perna você ensaia antes de estar com ele/a para ficar sexy, nem da noite muito mal dormida para que ele/a não perceba seu ronronar ou seus puns pela manhã; estou falando da familiaridade que o casamento/união acaba trazendo a situações que antes era uma delícia...
Como conseguir trazer de volta aquele homem delicioso que te colocava para dormir sobre o peito dele e que agora ronca estrondosamente ali do teu lado?
Como reencontrar aquela mulher que acordava do seu lado igualzinha a protagonista da novela mexicana: maquiada, penteada e cheirosa, pois aquela que esta ali ao lado, na cama, não é ela.
É relacionamento a dois é muito difícil, mas é gostoso pra caramba.

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