Já esperei tanto das pessoas antigamente, que hoje não crio mais expectativa nenhuma. Não sonho, não idealizo, só deixo acontecer. Sempre espero que as pessoas me magoem e sempre espero a ida delas da minha vida. Porque, desde sempre, foi assim. Pessoas vem, eu as amo, elas me magoam, depois vão embora. E doia pra caramba. Agora, já sei como é esse ciclo, e não me surpreendo tanto se isso acontecer. Mas sei que mesmo assim, ainda vai doer.
Ah, sua boba. Você e esse teatrinho de ser durona. Quem vê até pensa, quem vê até imagina que você é assim, tão má, tão fria, tão perversa. Mal sabem eles como você é delicada, gentil e amável. Não com todos, aliás, com ninguém. Até com sua mãe você aprendeu a não ser tão sentimentalista. Você guarda toda essa delicadeza por medo, eu sei. As pessoas te pisam quando você é assim. Então você prefere usar essa máscara aí. Meus parabéns, viu? Engana meio mundo, mas não a mim. Conheço o aperto em seu coração à noite, conheço o choro baixinho, conheço seu gosto por comédia romântica, conheço você. Já te fizeram sofrer, e muito, eu sei. Sei também que você finge não se importar, mas se importa até demais. Sei que se preocupa, sei que ama, sei que sente. Você simplesmente esconde isso. Se bem que no fundo, ainda resta uma pequena esperança contida no seu coração. Você, disfarçadamente, ainda tem fé de que tudo vá dar certo. Amor, família, amigos. Um futuro, um príncipe, uma história de amor. Você, no fim, continua sendo apenas uma garotinha que se entrega demais, que sente demais, que se machuca demais.
Eu sou desligada pra caramba, mas me atento muito nos gestos dos outros. Simples detalhes fazem toda a diferença pra mim. Guardo cada palavra dita, lembro de cada conversa, imagino o porquê atrás de cada ação. Penso e repenso o significado de tudo. E posso me magoar com apenas uma palavra, assim como, posso sorrir o dia inteiro também. Então, tome cuidado.


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