Em uma noite aparentemente calma e prestes a dormir, uma sensação desesperadora. Coração acelerado, tonturas, sensação de levitação, enfim, sintomas que minha mente insistia de ser minha morte precoce.
Fui para o hospital e adentrei na urgência : possível ataque cardíaco. O médico muito calmo disse que eu estava bem e eu insistia que eu estava prestes a morrer e ele, nada fazia. Tomei o famoso sossega leão e em quarenta minutos estava indo para casa.
Na época ele disse que tinha sido uma crise nervosa.
Passados dois dias outra onda, mais forte do que a primeira e fui para outro hospital, talvez melhor, onde verificassem que eu estava sofrendo de fato, um ataque cardíaco.
Dessa vez uma médica, nada tranquila, até talvez porque eu a tenha acordado, disse : fique calma que você está tendo uma ataque de histeria. Eu quase tive mesmo esse ataque diante dessa sutileza médica. Tomei outro sossega leão e fui para a casa, atônita sem saber o que fazer.
Aí é que começa o drama, que hoje quando lembro dou risadas.
Primeira parada um médico psiquiátrico que passou a me tratar como uma alface e dirigia-se tao somente para o meu marido. Fiquei pasma. Mesmo assim tomei alguns medicamentos e comecei a achar que de fato, eu era uma alface, tamanha pasmaceira que eu fiquei.
Parei e fui para um tratamento alternativo, holístico, resultado; todas as vezes que a onda de levitação chegava, eu tinha que comer gengibre cru, que eu comia como se fosse uma suculenta bomba de chocolate e pulava na terra descalça para reequilibrar as energias sutis.
Não adiantou. Então à essa receita foi acrescentado que eu jogasse água nos pés enquanto eu pulava na terra, para que eu aterrasse minhas energias.
Continuando o tratamento fui para outro médico. Agulhas e ventosas fulmegantes. Meu corpo era roxo pelas agulhas e pelas ventosas. Aprendi o tempo de um a onda e olhava no relógio o seu começo, ápice e declínio. Comecei a racionalizar e estabelecer um pouco mais de controle sobre minha mente e corpo.
Não sei se não tive paciência ou medo, ou por ver o meu próprio desgaste e o da minha família , decidi procurar um médico neurologista indicado por amigos que já haviam passado por isso, e comecei a tomar medicação controlada.
Então eu, comia gengibre, pulava na terra, tomava remédio, me submetia a dolorosas sessões de acupuntura….fora outras coisas.
O importante dizer é que eu passei por isso, me curei , trabalhei por todo esse período e estou aqui, dizendo que é possível o tratamento e que essa doença do novo século como alguns chamam, tem cura e que o silêncio de quem já passou por isso, pode aumentar o medo da loucura de outras que estão passando por isso.
Dentro do possível, tentei manter minha rotina de vida, o que ajudou a não adentrar na depressão que muitos casos levam.
Depois do Pânico, minha vida não voltou a ser o que era. Ficou muito melhor porque aprendi a me cuidar, a me conhecer e sentir os meus limites.

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